Escrevi isto para a menina que amo, mas acho que não vou mostrar a ela. Talvez eu a deixasse assutada, não sei...
Há pessoas que leem bebendo café; eu leio bebendo seus olhos.
Cada vez que viro a página ou durante o breve intervalo entre os capítulos,
fito por um instante os seus olhos estampados na foto diante de mim, sobre a escrivaninha.
Neste caso, os olhos dela seriam minha xícara de café, que realmente me esquenta e não me deixa ficar estressado. Vou parar com as metáforas; está ficando estranho!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
Se Machado souber!...
Se Machado de Assis souber que o seu mais famoso conto está começando dessa forma nessa edição, ele se levanta da sepultura e vai assombrar por uns dias os responsáveis.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Um sonho que mereceu um post
Hoje minha mãe disse que sonhou com Micke (meu cachorro) gravando um disco junto com Chorrin, um cachorrinho de pelúcia que temos. De acordo com o que ela me contou, o cenário do sonho foi um estúdio de gravação e meu cachorro formava uma dupla sertaneja com Chorrin e ambos cantavam uma paródia da música Dois amigos, de Zezé Di Camargo & Luciano. Os animais, tanto o de verdade quanto o de pelúcia, cantavam com fones nos ouvidos, sobre uns banquinhos diante do microfone.
Em alguns instantes, era como se minha mãe fizesse parte da gravação desse disco. Provavelmente, ela devia ser a empresária, pois o cachorro pertence à nossa família, e com uma dupla dessas, qualquer um ganharia milhões.
Mais interessante ainda era a letra da paródia, que tinha como tema a impossibilidade de defecar por conta de entupimento. Minha mãe disse que lembra vagamente do meu cachorro cantando esse verso:
Amigo, eu vim aqui pra te falar
Falar da minha vida pra você
Eu sei que você vai me ajudar
Também tô entupido pra valer...
Chorrin fazia a segunda-voz.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Uma anotação
Esta semana, enquanto eu estava estudando o Parnasianismo brasileiro, fiz uma anotação um tanto singular, e só notei a sua singularidade quando a li uma segunda vez. Foram umas rápidas palavras que escrevi dirigidas a mim mesmo: De toda a literatura, os poemas parnasianos são os mais fáceis de compreender por conta da opção que os autores adotaram de compô-los descritivos, objetivos e não-sentimentalistas. Desse modo, caro André, seu idiota, procure ler toda a obra de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e, principalmente, Olavo Bilac.
Publiquei isto em meu blog apenas para me servir de lembrete, pois se deixasse essas minhas palavras na folha de anotações, elas se perderiam entre as outras anotações. Se, ainda assim, eu não lembrar, alguém, por favor, me lembre de ler toda a obra de, pelo menos, Olavo Bilac.
Um soneto camoniano
Dedico esses versos de Camões à menina que amo.
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio,
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto, um desconcerto;
D’alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Numa hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar uma hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Sobre enchentes, outra vez

Nada de interessante vem acontecendo ultimamente por aqui, exceto algumas enchentes que estão voltando a infernizar a vida dos habitantes da Zona da Mata pernambucana. Não há nada de novo nelas – são mera repetição do que ocorreu há menos de um ano, talvez com uma quantidade de água menor, mas é uma reprise.
Lá em Palmares, o centro da cidade deveria ser desmontável, para que os empregados das lojas e dos supermercados tivessem o trabalho de evacuação e esvaziamento dos estabelecimentos facilitado. A água toma conta da cidade com uma simplicidade que só a natureza tem. Lembro da enchente do ano passado sempre que vejo um cano estourado na rua ou um pouco de água empoçada perto do meio-fio, isso porque é assim que uma enchente nasce: primeiro, a água vai empoçando-se nos recantos das ruas; depois, começa a cobrir o asfalto ou o calçamento, inofensivamente, igual ao que acontece em qualquer chuva forte, os carros passam sem problema; poucas horas depois, começa a tomar conta do interior das residências e lojas, semelhante a um balde de água barrenta derramado de fora para dentro pela brecha inferior da porta, molhando o piso. Mais algumas horas se passam e a água está cobrindo o teto das casas, invadindo o primeiro andar, arrancando os semáforos, partindo postes ao meio, derrubando construções, levando carros que permaneceram estacionados. A correnteza passa dentro da cidade como um tsunami.
Nesta semana, Palmares chegou a ficar em terceiro lugar nos trend topcs nacionais do Twitter. Isso demonstra a solidariedade dos brasileiros para com aquela cidade sofredora, que vê no próprio rio que a corta o seu maior pesadelo. Pouquíssimas pessoas em Palmares usam o Twitter e, mesmo se muitas o usassem, no dia em que a cidade foi trend nacional, ela estava sem internet e sem energia elétrica. Foram as pessoas do resto do Brasil que falaram em Palmares por um tempo.
Eu ia escrever sobre nada, como vistes no início do primeiro parágrafo, afinal, faltando novidades, o jeito é escrever sobre a própria falta de inspiração. Entretanto, no meio da redação, surgiu esse tema das enchentes. Pelo menos o primeiro texto deste mês saiu.
sábado, 2 de abril de 2011
Diante do quadro
Tenho uma reprodução deste quadro na parede do meu quarto. Família de Camponês (1643), de Louis de Nain. Todos os dias medito apreciando cada rosto nele, cada olhar, cada traço, cada cor, cada forma. É quase como se a meditação em torno dessa obra fosse minha oração diária. Esse quadro me faz pensar sobre a humanidade e o mundo; me faz sentir o muito e o pouco, abarco as grandezas e as insignificâncias, penso na vida e no futuro dela, no que cada homem faz no mundo, na nossa sociedade, no porquê de existirmos.
Extraio dele mais religiosidade do que da própria cruz de Cristo. A cruz é só um símbolo, indiscutivelmente ainda o mais forte de todos os símbolos. Mas esse quadro supera a cruz ao nos fazer viajar pelo mundo do simples, sem exaltações de espírito, sem batalhas religiosas, sem morte para que haja ressurreição, apenas simplicidade, paz.
Em cada rosto dessa família retratada podemos ver os rostos que há dentro de nós mesmos: o rosto da inocência, da experiência que o tempo concede, do medo, da determinação, da tristeza, da alegria, da melancolia, dos sonhos, da esperança.
É um espelho da nossa consciência. Diante dele, como um raio-X que passa através da pele, tudo o que a ambição nos fez alcançar é apagado, ficando apenas aquilo que nós não demos a nós mesmos, pois sempre esteve dentro de nós. Vemos o núcleo secretíssimo do nosso ser, o mais puro de nós próprios. Por isso, estar diante desse quadro requer coragem, e penso que não é todo mundo que vai querer contemplá-lo mais de uma vez. Ou talvez você se vicie nele e nunca mais consiga viver sem olhá-lo todos os dias, como aconteceu comigo.
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