sábado, 2 de abril de 2011

Diante do quadro


    Tenho uma reprodução deste quadro na parede do meu quarto. Família de Camponês (1643), de Louis de Nain. Todos os dias medito apreciando cada rosto nele, cada olhar, cada traço, cada cor, cada forma. É quase como se a meditação em torno dessa obra fosse minha oração diária. Esse quadro me faz pensar sobre a humanidade e o mundo; me faz sentir o muito e o pouco, abarco as grandezas e as insignificâncias, penso na vida e no futuro dela, no que cada homem faz no mundo, na nossa sociedade, no porquê de existirmos.
    Extraio dele mais religiosidade do que da própria cruz de Cristo. A cruz é só um símbolo, indiscutivelmente ainda o mais forte de todos os símbolos. Mas esse quadro supera a cruz ao nos fazer viajar pelo mundo do simples, sem exaltações de espírito, sem batalhas religiosas, sem morte para que haja ressurreição, apenas simplicidade, paz.
    Em cada rosto dessa família retratada podemos ver os rostos que há dentro de nós mesmos: o rosto da inocência, da experiência que o tempo concede, do medo, da determinação, da tristeza, da alegria, da melancolia, dos sonhos, da esperança.
    É um espelho da nossa consciência. Diante dele, como um raio-X que passa através da pele, tudo o que a ambição nos fez alcançar é apagado, ficando apenas aquilo que nós não demos a nós mesmos, pois sempre esteve dentro de nós. Vemos o núcleo secretíssimo do nosso ser, o mais puro de nós próprios. Por isso, estar diante desse quadro requer coragem, e penso que não é todo mundo que vai querer contemplá-lo mais de uma vez. Ou talvez você se vicie nele e nunca mais consiga viver sem olhá-lo todos os dias, como aconteceu comigo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Chegou água!


    Chegou água na tarde deste sábado lá na Vila do Oscar. Mas como os canos da rua não são muito acostumados a ter água correndo dentro deles, quase todos estouraram. Pareciam gêiseres!
    Os moradores, além de encherem tudo o que é de cisternas, tanques e baldes, não permitiram que tanta água se desperdiçasse à toa: conectaram mangueiras nos canos estourados e as penduraram nas algarobas. Não preciso nem dizer para que fizeram isso... Para tomar banho!
    Alguém abriu a mala de um carro e ligou o som em todo volume. Outros armaram mesas de bares perto das mangueiras, depois trouxeram cerveja, começaram a assar carne... Foi uma festa! Banho e cerveja!
    Santa Cruz do Capibaribe e região sempre enfrentou o problema de escassez de água, o que é natural em cidades construídas num ambiente seco. A escassez não se iguala à enfrentada pelos habitantes do vasto sertão nordestino, mas é o suficiente para os santacruzenses verem numa forte chuva o maná dos céus. Por isso, quando acontece de a chuva cair de uma só vez, em todas as ruas encontramos gente tomando banho nas bicas das casas, correndo pelas calçadas, feliz por estar ensopado.
    Um povo desses nunca vai negligenciar um cano estourado!

terça-feira, 15 de março de 2011

A arte do desenho 3D

    Caro leitor meu, que, por isso mesmo, se destaca na prática da ascese ao exercitar a virtude da paciência. Tenho demorado a postar porque resolvi me aprofundar na computação gráfica, poderosa área do mundo digital que nos possibilita dar a forma física, em três dimensões, a tudo o que nossa mente for capaz de imaginar.
    Dediquei tanto tempo ao estudo do Blender que neste mês de fevereiro só li dois livros, dois míseros livros de pouco mais de quinhentas páginas. O resto do tempo livre entreguei à dissecação do programa.
    Foi um estudo profundo, intensivo, afinal, desenho 3D é uma verdadeira ciência (alguns se dedicam exclusivamente à iluminação, outros exclusivamente à modelagem, outros à textura), mas finalmente aprendi todas as técnicas essenciais e já posso fazer as ilustrações que me der na telha. O que não aprendi ainda foi a experiência, que só o tempo concede – mas isso não importa, afinal, não pretendo ser modelador digital para sempre.
    É inacreditável como a computação gráfica evoluiu rápido, de modo especial num software livre como o Blender!
    Dominando a técnica, pude fazer algumas ilustrações para As Aventuras dos Mendigos Viajantes (um conto meu).


A cápsula

















O balão


























Agora me dê uma esmolinha, por favor.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A beleza das pedras

    Nesta segunda-feira, aproveitando o feriado de carnaval, fui dar uma volta por alguns pontos daqui da região, indo de encontro à vasta natureza que por aqui se vê.
    Quando digo vasta natureza, refiro-me às serras, colinas, planícies e, principalmente, às pedras. Assim como as nuvens encantam a muitos com suas formas que lembram as mais diferentes figuras, do mesmo modo as pedras despertam minha imaginação. Algumas me fazem ver figuras de pássaros, peças de máquinas, formas arquitetônicas, pessoas, etc. O topo de muitas das serras é inteiramente constituído por uma única pedra do tamanho de outras serras.
    Essa foto abaixo foi feita nas proximidades de Toritama, cerca de 3 quilômetros da BR-104, em cima de uma colina de pedra. O único defeito dessa foto é que parece que estou segurando uma lança invisível em cada mão!


    O povo dos arredores costuma desenterrar as rochas para que sejam formados reservatórios naturais de água na impermeável superfície cheia de buracos. Esses reservatórios são chamados de tanques, e armazenam água vinda diretamente da chuva. Eis alguns deles:



    A água fica esverdeada por cima devido ao lodo que se forma, mas pode ser consumida sem problema algum – bebi dela, e foi a mais pura que já provei.
    A próxima parada foi Fazenda Nova, onde visitamos o Parque das Esculturas. Nele, encontramos grandes esculturas em pedra, retratando principalmente figuras típicas da cultura pernambucana. Assim que vi essa estátua abaixo, logo pensei: “Vou tirar uma foto em cima da cabeça dela!” Sempre que vejo uma estátua, penso em ser fotografado na cabeça dela – o mesmo já pensei com relação à Estátua da Liberdade e ao Cristo Redentor.


    O trecho da rodovia que vai do trevo do Lampião ao teatro de Nova Jerusalém tem mais buracos que a superfície lunar. Como a pista não é muito movimentada, você se diverte driblando as crateras com o carro à toda velocidade. É divertido, mas um tanto perigoso. Só os turistas que vão assistir à Paixão de Cristo é que não se divertem jogando o carro para os lados entre os buracos, pois estes são tapados com qualquer revestimento (barro, talvez) que dure enquanto durar o espetáculo no maior teatro ao ar livre do mundo – alguém precisa avisar ao Google Earth que mande um satélite fotografar o local, com maior resolução!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Missa da razão


    Outro dia, num país não muito distante, entrei numa pequena igreja aparentemente católica, onde uma missa estava a se iniciar. Sentado nas últimas bancas, notei curiosa inscrição gravada estilosamente em alto relevo na frente do altar:

BE AN ATHEIST

    Na parede atrás da mesa, bem diante da assembleia de fiéis, havia um enorme mosaico retratando uma explosão. Na parte de baixo, um crucifixo feito de um metal cor de prata, de uns quarenta centímetros de altura, ficava pregado no mosaico.
    Mas não era um crucifixo igual aos normalmente vistos: não tinha um Cristo pregado, nem sangue, nem a menor cena de morte. Havia, sim, no centro da cruz, a letra H, com quatro raios de luz partindo da parte de traz, cada raio contendo um símbolo das quatro operações elementares da matemática: +, -, ×, ÷.
    As imagens dos nichos não retratavam necessariamente santos, mas cientistas famosos. Claramente reconheci uma imagem de Copérnico, outra de Galileu, um busto de Kepler. A maior daquelas esculturas retratava Isaac Newton. A mais intrigante, porém, era uma de Erastóstenes esmagando as cabeças de Platão e Aristóteles com uma lança.
    Um fiel que sentava ao meu lado percebeu o quanto eu olhava com aspecto indagador o crucifixo; estava evidente que eu nunca havia entrado naquela igreja antes nem dela ter algum dia ouvido falar. Então o fiel simplesmente respondeu, em inglês, a pergunta que meus olhos faziam.
    – O H é o símbolo do hidrogênio, átomo mais abundante no universo. Deste simples átomo todos os outros se formaram no núcleo das primeiras estrelas. Por isso os raios de luz, tendo o símbolo do hidrogênio no centro de onde eles partem: simbolizam o brilho das estrelas, fusão nuclear responsável pela montagem de todos os elementos químicos existentes. Os símbolos matemáticos elementares lembram que a criação inteira é um processo matemático, que podemos perfeitamente compreender e estudar.
    A missa começou. Fizemos silêncio para ouvir o padre paramentado. Notei que as palavras eram exatamente as mesmas do Missal Romano em língua inglesa.
    – O inglês é a língua da moderna ciência, o novo idioma universal, o novo latim – disse-me o fiel, murmurando.
    Exatamente o mesmo rito e palavras do Missal, pensava eu acompanhando a celebração. A única diferença é que, onde se deveria dizer Deus, se diz Cosmo; onde se deveria dizer Espírito Santo, se diz Universo.
    Na primeira e na segunda leituras eram lidos trechos das obras de Pitágoras, Erastóstenes, Hiparco, Herón de Alexandria, entre outros estudiosos da época dos Ptolomeus e da mesma nacionalidade grega. Os Salmos eram trechos da Ilíada.
    Em vez do Evangelho, cada dia se lia uma passagem diferente do Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo, famosa obra de Galileu.
    Aguçada atenção depositamos agora na homilia, lecionada pelo padre como uma aula:
    – Prestamos culto ao Universo com esta nossa vida, continuação do Big Bang. A vida nada mais é que a consciência do Cosmo, os olhos e a razão do Universo, que pode olhar a si próprio e se reconhecer. Simplificando, somos Universo. A vida é o produto final e máximo da criação. Mas não foi um deus que criou o Universo. Este sempre existiu, desde quando era constituído de uma única partícula de matéria. Antes dessa partícula, sempre existiu o Universo de forma imaterial, que não é um ser, e sim uma existência pura e eterna, sem vontade, sem consciência. O que existe, é, e a razão de ser da eterna existência pura originou, isenta da falsa ideia de desordem universal conhecida por acaso, a partícula inicial do mundo no qual estamos mergulhados. Antes de o Universo se materializar, houve uma necessidade de materialização, o que não exclui a imaterialização que sempre existiu e sempre está presente. A vida é um prosseguimento da necessidade. Por isso, ninguém morre. Quando o nosso corpo tem a necessidade de interromper seu funcionamento por completo, continuamos a ser Universo material e imaterial. A morte só se daria se o Universo deixasse de existir, coisa impossível para a própria existência sem princípio e sem fim natural por não haver um nada capaz de destruir ou conter a essência da existência.
    “Claro que a verdade não está em mim, nem no que discorro; assim como o Universo, a verdade é relativa. Em outras palavras, a única verdade sagrada é que não existe verdade sagrada. Vocês são livres para discordar de qualquer ponto da doutrina desta Igreja, até exijo que encontrem algo para discordar.
“Galileu”.
    Todos replicaram:
    – Galilei.
    Após uns dois minutos de total silêncio, o sacerdote recitou o Credo:
    – Creio em um só Cosmo, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo...
    – Por que ele fala que crê em Jesus Cristo, depois de ter dito tudo isso?! – perguntei, sussurrando ao fiel do meu lado.
    – Jesus é o nosso símbolo da ciência – respondeu o fiel, também num sussurro.
    – Filho Unigênito do Cosmo...
    – Pois a ciência vem do Cosmo.
    – ...nascido do Pai antes de todos os séculos: Cosmo do Cosmo, luz da luz, Cosmo verdadeiro do Cosmo verdadeiro, gerado, não criado; consubstancial ao Pai.
    – Isso porque a ciência, simbolizada por Cristo, provém do Cosmo. Melhor dizendo, ela nada mais é que o próprio Cosmo traduzido em equações e leis para que possamos compreendê-lo – dizia o fiel, explicando-me cada ponto da profissão de fé.
    – Por ele todas as coisas foram feitas – continuava o padre a recitar. – E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou, pelas leis do Universo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.
    – Ou seja, a ciência se encarnou em nós. Virem Maria simboliza a humanidade.
    – Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
    – Significa que o pecado, aliado ao misticismo dos nossos antepassados, chegaram a assassinar a ciência nos homens, deixando o mundo por um milênio e meio abandonado às trevas da ignorância.
    – Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai.
    – Todavia, veio o Renascimento, e readquirimos a noção de que o domínio da ciência nos conduz às estrelas e ao infinito e pode nos tornar imortais. Assim, a ciência ressuscitou em nós.
    – E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.
    – Significa que um novo Renascimento acontecerá na história humana, bem maior que o do século XV. É a esperança de que, um dia, o reino da ciência fará do mundo o paraíso sonhado.
    – Creio no Universo, Senhor que dá a vida, e que procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja...
    – Igreja somos todos nós que cultivamos a ciência.
    – ...una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados.
    – Pecado é a ausência do cultivo da ciência e o batismo é a educação científica.
    – E espero a ressurreição dos mortos...
    – O dia em que todos os religiosos se tornarão ateus e passarão a ser cientistas.
    – ...e a vida do mundo que há de vir.
    “Galileu”.
    – Galilei – disseram todos, concluindo a profissão de fé.
    A liturgia eucarística segue o mesmo padrão: Deus é substituído por Cosmo e Espírito Santo, por Universo. Acontece o rito de consagração e tudo mais. No entanto, em vez de hóstias, é consagrada uma folha contendo a equação do dia. Essa equação é partilhada, distribuída em cópias a todos os fiéis, que fazem filas para irem buscá-la no altar e voltam aos seus lugares para responder o pequeno exercício cuja fórmula envolve a equação consagrada.
    No decorrer de três anos litúrgicos, todas as equações da física são consagradas, partilhadas e respondidas: passam pelas leis de Newton, de Kepler, a lei de Hooke, de Stevin, de Biot-Savart, atravessam toda a Cinemática, Movimentos variados e uniformemente variados, Dinâmica, Óptica, Relatividade... O mundo inteiro da física. A catequese, evidentemente, gira em torno desta ciência.
    Acabada a missa, que durou exatamente sessenta minutos cronometrados, fui obrigado a escrever cinquenta linhas tendo como tema “a presença de grandes cientistas na nossa vida cotidiana” (qualquer um que assistisse àquela celebração pela primeira vez só podia sair da igreja depois de fazer isso). Se minha redação fosse aprovada pela cúria, eu poderia voltar quantas vezes quisesse; se não, somente depois de um ano me seria permitido pôr os pés dentro da igreja outra vez, para fazer outra redação no final da missa.
    Ainda bem que meu texto foi aprovado e pude voltar lá quantas vezes quisesse.

domingo, 2 de janeiro de 2011

No céu da Rua Grande


    Desde há muito tempo atrás, os moradores de Tabocas costumam ir a Santa Cruz do Capibaribe no dia da feira de frutas – que pela variedade do que nela se vende além de legumes, verduras e frutas, podemos dizer que trata-se duma “feira de Caruaru” em miniatura. Até hoje, como antigamente, as mercadorias se estendem ao longo da Rua Grande, muitas abaixo das gameleiras centenárias.
    Os taboquenses faziam a viagem em caminhões, Rurais ou a pé mesmo, não se importando, neste caso, com os 14 quilômetros que separam Santa Cruz do lugarejo onde nasceram e se criaram meus bisavôs maternos. Hoje em dia, há Toyotas de sobra, principais responsáveis pelo transporte.
    Lá pela década de 1940, meu bisavô estava fazendo compras naquela importante feira quando notou que todo mundo começou a olhar para o alto, soltando fortes exclamações. Entre os galhos das gameleiras, ele avistou no céu uma enorme “bola de fogo” (assim todos definiram o fenômeno), cuja trajetória desenhada era oeste-leste, ou seja, vinha do lado de São Domingos, dirigindo-se para o lado da igreja matriz. Mas a estranha coisa não voava baixo: deslocava-se, do ponto de vista dos observadores, aparentemente a altura de um avião acima das nuvens.
    Algumas pessoas entraram em pânico, gritando: “Vala-me Deus!” “Se cair, é o fim do mundo!” Meu bisavô apenas olhava, maravilhado com tão intenso brilho a cruzar o céu – não se parecia com nada feito pelas mãos dos homens. Ele contou que era possível ouvir o barulho que a “bola de fogo” emitia, espécie de trovão prolongado, até ela desaparecer completamente na linha do horizonte.
    Hoje sei que esse fenômeno testemunhado por um bisavô e tantas outras pessoas era sem dúvida um meteoro. Certamente se desintegrou antes de cair ou explodiu nas altas camadas da atmosfera, como a maioria dos meteoroides que chegam ao nosso planeta. Recentemente, algumas dessas pedras do espaço, em plena queda, chegaram a ser filmadas em várias partes do mundo, e os vídeos se parecem muito com o que o meu bisavô descreveu.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Livres para pensar


    Quando eu disse, no Twitter, que precisamos de ateísmo criativo, pois só assim as pessoas que têm contato com nossas palavras ficam ateias também, não significa de modo algum que eu esteja defendendo a coação para se impor ideias.
    Uma das coisas que mais repudio neste mundo é justamente os discursos ou opiniões que tendem a obrigar o leitor a pensar como o que proferiu ou escreveu as palavras. As pessoas que ficam ateias somente tendo contato com as palavras do ateu, conforme mencionado acima, é consequência da capacidade de eloquência do tal descrente, que livremente levou o ouvinte a adotar também o ateísmo.
    Se você quiser acreditar em Deus ou deuses e se sentir bem na crença, acredite em divindades, não tenho absolutamente nada contra os que creem em forças ocultas e/ou superstições. Do mesmo modo, se você tiver oitenta anos e continuar acreditando em Papai Noel, acredite, você é livre para pensar o que quiser, encontrar a verdade onde quiser e fazer o que quiser. Mas se você sentir que falta espaço para vivenciar as suas ideias, crenças ou descrenças, significa que a sociedade ao seu redor está com uma saúde muito precária e precisa o quanto antes de remédios.
    Defendo uma sociedade alternativa, tal qual é cantada na famosa música do Raul Seixas. Só assim grandes mentes surgem do meio do povo e a nação cresce.